Falência da Oi: O Fim de uma Era nas Telecomunicações Brasileiras ou o Início de uma Revolução Digital?

 


Na manhã de 11 de novembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro homologou oficialmente a falência da Oi (OBIR3), encerrando um capítulo de mais de uma década de dívidas, reestruturações e batalhas judiciais que custaram R$ 65 bilhões aos credores. A decisão, tomada após a empresa não cumprir prazos para venda de ativos remanescentes, marca o colapso definitivo da quarta maior operadora de telecomunicações do Brasil – uma gigante que, em 2010, controlava 20% do mercado de telefonia fixa e móvel. Com 6 mil funcionários demitidos e ativos como torres e espectro de 5G vendidos para Vivo, Claro e TIM, a Oi deixa um vácuo: o que acontece agora com os 10 milhões de clientes fixos e o legado de uma privatização mal resolvida em 1998?

Mas além do drama corporativo, o que essa falência revela sobre o futuro das comunicações no Brasil? Não é só o fim de uma empresa: é um espelho das falhas regulatórias, da transição para o digital e da desigualdade que ainda separa o 5G de luxo do 3G precário no interior. Em um país onde 85% da população depende de apps para trabalhar, estudar e se conectar, a Oi não era só uma operadora – era o fio que ligava o analógico ao mundo novo.

A Análise Central: Por Que a Falência da Oi Expõe as Cicatrizes de uma Privatização que Não Democratizou Nada

O foco aqui é sistêmico: a Oi nasceu da privatização da Telebrás em 1998, sob o governo FHC, com a promessa de modernizar as telecomunicações. Em vez de competição, veio monopólio disfarçado: três players (Vivo, Claro, TIM) controlam 95% do mercado móvel hoje. A Oi, que comprou a Brasil Telecom por R$ 6,8 bilhões em 2008, afundou em dívidas por sobrepreço e má gestão – mas o real vilão é a Anatel, que permitiu fusões sem contrapartidas reais para cobertura universal.

Analisando os números, a falência injeta R$ 20 bilhões em caixa para credores, mas pulveriza o mercado: a Vivo absorve 40% dos clientes fixos da Oi, fortalecendo seu domínio em fibra óptica. Para o consumidor, isso significa pacotes mais caros – o plano básico de internet fixa subiu 15% em 2025, para R$ 89,90. No entanto, há um lado positivo: a venda de espectro acelera o 5G, com cobertura prevista para 80% das capitais até 2026. O problema? No Norte e Nordeste, onde a Oi tinha presença forte, o vácuo pode durar anos, ampliando o abismo digital: 35 milhões de brasileiros sem banda larga fixa de qualidade.

Essa história não é só de números; é de poder. A falência questiona: em um Brasil pós-pandemia, onde o home office depende de conexão estável, por que o governo não intervém para criar uma "Oi pública" focada em inclusão? A transição para o VoIP (como WhatsApp) matou a telefonia fixa, mas deixou órfãos os idosos e rurais que ainda usam o "fixo de parede".

Os Impactos: Quatro Consequências Diretas para o Cidadão Brasileiro

A homologação da falência não é evento isolado. Seus ecos chegam à sua fatura mensal, ao seu sinal de celular e ao seu emprego:

  • Aumento nos preços e migração forçada: Clientes da Oi fixa terão de migrar para concorrentes, com custos de instalação de R$ 150–300. Projeção: alta de 12% nas tarifas médias de telecom em 2026, pressionando famílias de baixa renda.
  • Desemprego e reestruturação no setor: Os 6 mil cortes diretos somam-se a 20 mil indiretos em call centers e fornecedores. Setores como TI em São Paulo e Rio sentem o baque, mas abrem vagas em 5G para engenheiros – uma transição dolorosa para quem só conhece cobre e não fibra.
  • Aceleração desigual do 5G: Com o espectro da Oi redistribuído, capitais como São Paulo ganham velocidade de 500 Mbps; mas no interior do Maranhão ou Piauí, o 4G luta para sobreviver, ampliando a exclusão: 28% dos lares rurais sem internet móvel acima de 10 Mbps.
  • Oportunidade para inovação local: Startups de fibra comunitária (como a Vero em SC) crescem 25%, oferecendo pacotes a R$ 49,90. Isso pode fomentar um "5G popular", mas depende de regulação da Anatel para evitar abusos.

O Debate Selon o Portal Folha PB: Um Cadáver Adiado que Enterra Lições Não Aprendidas

No Portal Folha PB, a falência da Oi é o epitáfio de uma era de privatizações predatórias: vendemos o ouro da Telebrás por migalhas e deixamos o consumidor pagar a conta. Celebramos o "fim do sofrimento dos credores", mas lamentamos a ausência de visão: por que não uma estatal digital para cobrir o Brasil real, como a Correios faz com logística? E as perguntas que o MEC e a Anatel ignoram: como garantir que o 5G chegue às escolas do Sertão? Quem fiscaliza as migrações forçadas sem multas abusivas? E, principalmente: quando o Brasil terá uma lei de telecom que priorize o povo, não os acionistas?

É hora de cobrar: a falência não pode ser só balanço patrimonial. Tem que ser catalisador de uma internet para todos – ou repetiremos o erro da Oi em escala nacional.

Conclusão: Desconectados do Passado, Conectados ao Desafio

A falência da Oi não é o fim de uma empresa: é o alerta para um Brasil que precisa urgentemente de conexões justas e rápidas. Com ativos redistribuídos, o mercado se concentra, mas abre brechas para inovação. O Portal Folha PB continuará vigiando: porque no mundo de 2025, sem sinal, não há futuro.

E você, leitor? Foi cliente da Oi? Sente o peso na fatura mensal? Acha que o 5G vai salvar ou piorar tudo? Comente abaixo, marque quem perdeu o emprego nisso, compartilhe para que o debate chegue longe. Juntos, exigimos uma rede que una, não divida.


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